O Japão vive uma certa contradição em seu mercado de trabalho. Por um lado, ainda subsiste um negócio chamado “emprego para a toda vida”, uma espécie de aberração para qualquer economia neo-liberal. Por outro, há os freeters - trabalhadores que não desejam/não conseguem entrar no mercado de trabalho, a não ser de forma marginal. Este último grupo está no cerne das recentes discussões na sociedade japonesa. Mas, afinal, o que é um freeter?
Em tradução livre, freeter seria o trabalhador free-lancer, aquele que não procura/não consegue um emprego fixo. As razões são diversas. Eu tenho amigos que são freeters porque são artistas. Eles precisam de horários flexíveis para participarem de seleções ou poderem integrar o elenco de eventuais espetáculos ou performances que eles tenham conseguido. Há outros, porém, que não optaram por ser freeters ou, em algum momento, decidiram que não queriam mais viver de empregos instáveis e tentam, sem sucesso, ingressar no mercado de trabalho formal.
O Japão é um país onde faltam trabalhadores em quase todos os setores da economia. Estima-se que o país dependa da entrada de cerca de 600 mil imigrantes por ano apenas para manter o nível de produção no patamar que ele está atualmente. No entanto, a maior parte desta mão-de-obra é flexível, ou seja, não é necessária todo o tempo e nas mesmas atividades econômicas. Mesmo assim, conseguir trabalho no Japão é, em tese, relativamente fácil.
Porém, aqueles que desejam entrar no mercado de trabalho formal, ou seja, os que desejam ser empregados de alguma companhia, passam por um processo de seleção que, se não pode ser considerado rigoroso é, no mínimo, cansativo. Para dar uma idéia, estudantes que desejam posições compatíveis com o nível de instrução que eles estão concluindo começam a procurar companhias de caça-talentos um ano antes de deixarem a faculdade/escola. O processo de seleção dura mais ou menos 1 ano!!! E mais, a maioria dos meus colegas graduandos estava simplesmente tentando uma vaga de trabalho que exige o terceiro grau. Nada de trabalho especializado ou compatível com a formação deles. Para um simples serviço de atendente/subgerente em uma loja, desde que seja para fazer parte do quadro fixo de funcionários, o processo é longo e cansativo.
No entanto, para quem deseja vagas temporárias, as coisas são um pouco mais fáceis. Recentemente, uma grande idéia surgiu no setor: é a Otetsudai Networks. Trata-se de um serviço através do qual pode-se conseguir alguém para fazer algum trabalho temporário com rapidez. O sistema é mais ou menos simples: interessados em disponibilizar sua mã0-de-obra se cadastram por telefone celular num site. Dados simples são exigidos, coisa realmente básica. Quando alguém necessita de uma mãozinha, solicita ao site que manda mensagens automáticas para pessoas que se aproximam do perfil desejado e que estejam em condições de assumir aquela vaga no momento em que o pedido foi enviado. Pode-se dizer que o Otetsudai Networks é uma espécie de fast-job, em comparação com os fast-food. Nessa rede, pega o trabalho quem estiver mais próximo e, claro, responder ao pedido primeiro. Essa imagem dá uma idéia do que eu estou falando.
Recentemente, o Japan Times, um dos maiores jornais do Japão em língua inglesa fez uma matéria sobre o Otetsudai Networks. Vale a pena dar uma lida. Creio que isso dá uma idéia da forma como funciona a economia japonesa. Em outros posts, falaremos mais sobre os freeters. Por hora, segue o link:












2 responses so far ↓
1 Cris // Jun 24, 2008 at 5:33 pm
Mano
Vim pro pais errado, eu devia era ter ido pro Japao hahahahahahaha
Aqui o mercado de trabalho è ruim, seja para italianos ou para estrangeiros.
Ta certo que com empregos ditos como simples, como produçao de fabrica, caixa de supermercado e afins, voce consegue um salario que da pra viver, diferente do Brasil.
Um beijo
2 Barbara // Aug 4, 2008 at 1:48 pm
bom,gostaria que asiáticos ou pessoas entendidas em assuntos estrangeiros me add no msn para que possamos conversar.
esse é meu msn:
barbara_helenaalencar@hotmail.com
aguardo vocês.
beijos…
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