Filme japonês mostra um Japão perverso e completamente fora de controle
A gente fala que a imagem do brasileiro na comunidade japonesa não é muito boa. Eu acho que a recíproca é verdadeira. Eu, particularmente, tenho um monte de amigos que não se furtam em dizer que não gostam de japoneses. Nesse grupo, estão incluídas pessoas de outras nacionalidades. Eu não gosto de falar em brasileiros e japoneses como grupos sem fazer uma crítica a essa idéia de identidade coletiva. Conheço japoneses gente fina e brasileiros falcatruas. Conheço japonês que não separa o lixo direito e brasileiros que são obsecados com isso. Enfim, há gente para todos os gostos…
Quando falamos de arte, enxergamos as obras como reflexos da sociedade onde vivem. Há todo o tipo de gente e, por isso, há todo o tipo de reflexo. Portanto, há filmes que vão endeusar os valores da sociedade, bem como há outros que vão sentar o pau neles. Hoje quero falar sobre um filme japonês da linha dos que fazem uma crítica ferrenha ao comportamento do japonês médio. Trata-se do já comentado aqui Hey Japanese! Do You Believe Peace, Love & Understanding do diretor Ryotaro Muramatsu, apelidado carinhosamente de Hey, Japa! (eu acho que tem brasileiro nessa…).
Bem, eu não vou me estender na questão da língua, de que eu não entendi todas as sutilezas do filme… Vocês sabem que eu sou um cara que curte esse lance de assistir o filme em japonês, mesmo sem entender 100%. Ainda mais neste caso, no qual os personagens são gente como eu e você… Sendo assim, o vocabulário passa longe de ser aquele das aulinhas de japonês. Vamos ao filme… Saca Robert Altman? Então, é mais ou menos por aí: uma série de estórias que não possuem relação direta entre si e compõem um mosaico. Então, estão lá um grupinho de estudantes secundárias que decidem fazer a limpa num konbini (loja de conveniência), um marido infiel desmascarado num funeral, uma dupla de otaku (não tem tradução) que não comem ninguém e outra que discute como vai estuprar uma menina, policiais que tentam impedir uma performance de rock psicodélico numa estação de trem… Enfim, gente como a gente.
O diretor não procura costurar as estórias. Nem precisa. A idéia que conecta as estórias é exatamente a de que ninguém visto de perto é normal. Isso está lá nos diálogos e nas ações e motivações dos personagens. Ninguém é inocente, ninguém é mocinho. Hey Japa! é tão ferino que lembra os filmes do Shinya Tsukamoto (Tetsuo e Tokyo Fist, por exemplo). Num momento em que o cinema japonês anda tão voltado para obras televisivas, filmes de amor com doses altíssimas de açúcar e obras históricas com roupagem épica, Hey, Japa! foi um refresco (ou seria melhor dizer um copo de vodka?) para os corações anárquico-cinéfilos. Recomendado!










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