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Treinamento e Prevenção Contra Terremotos

December 12th, 2007 · 2 Comments

O terremoto que assustou Minas Gerais me relembrou um texto que eu publiquei o primeiro blog que eu escrevi aqui no Japão. Resolvi atualizá-lo e colocar aqui para vocês conhecerem como as universidades fazem treinamento para prevenção de desastres naturais aqui no Japão.

Hoje a aula da tarde foi um pouco diferente. A professora distribuiu um texto em inglês com o seguinte título: NAIHURU 15 GAME (for disaster prevention). O texto era, na verdade, um jogo que apresentava a seguinte situação-problema:

Em uma tarde de novembro, Amagishi que é estudante da Universidade de Shizuoka voltou para seu apartamento. Quando ja estava relaxado em seu quarto, ele escutou um alarme do tipo “Terremoto Tokai Informação de Perigo”. Ele tinha escutado o mesmo alarme quando participou de uma simulação de emergência muito tempo antes. No entanto, agora não parece ser uma simulação. Se você fosse Amagishi, o que faria depois do alarme?

Em seguida, o texto sugere uma série de atitudes as quais tínhamos que numerar de 1 a 4, numa escala que considera 1 as ações mais importantes e 4 as não-recomendadas para escapar com segurança da situação apresentada. Neste mesmo dia, passamos por uma simulação como a que você pode conferir no vídeo abaixo.

Video thumbnail. Click to play
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Tudo isso soa muito estranho para nós brasileiros, acostumados que estamos a achar que vivemos num país que não corre risco de desastres naturais. Apesar de não termos terremotos, maremotos e outros fenômenos de origem sísmica com tanta frequência, vivemos sendo afligidos por tragédias causadas pelas chuvas. Enchentes e deslizamento de terra são desastres naturais tão perigosos quanto furacões e terremotos. No entanto, mais uma vez, o mito de “paraíso terrestre” que povoa a mente do povo brasileiro e a falta de vergonha dos administradores que não investem em infraestrutura fazem com que percamos vidas por falta de precaução. No Japão, as coisas funcionam de forma diferente.

Todo mundo sabe que as ilhas que formam o país se localizam numa área de extrema atividade sísmica, por causa do encontro entre placas tectônicas. A teoria diz que a os continentes e os oceanos (não se esqueça que embaixo d’água tem um solo) flutuam sobre uma camada quente e pastosa, formada de magma. Segundo essa mesma teoria, essa parte sólida em que vivemos e onde fica a água dos oceanos é cheia de fissuras que se “encaixam” e navegam em cima do magma da camada inferior. Só que as camadas não se encaixam perfeitamente e tampouco se movimentam todas para a mesma direção.


Esquema que representa a áreaonde pode ocorrer o Terremoto Tokai
(fonte: Prefeitura de Hamamatsu)

Algumas placas movimentam-se em direções contrárias das vizinhas e, como não há muito espaço entre elas, ocorrem choques de diversas tipos. Esses choques entre as duas placas geram fenômenos sísmicos como o terremoto, destruindo porções de terra ao mesmo tempo em que originam outras.


Esquema de um tsunami
(fonte: Site da província de Shizuoka)

Como ainda não é possível prever com exatidão o acontecimento de um abalo sísmico (diferentemente do que ocorre com as chuvas), a única forma de evitar perdas é criar tecnologias e desenvolver comportamentos que façam com que os efeitos dos terremotos sejam cada vez menores, tanto para os seres humanos quanto em perdas materiais. E nisso os japoneses são craques!

A atividade que nós participamos faz parte do rol de medidas de seguranca que o governo adota para diminuir o máximo possível o número de perdas humanas, principalmente depois do terremoto que destruiu Kyoto em 1998. Na região onde eu vivo, o alerta é constante por causa do Terremoto Tokai, um fenômeno que acontece com uma frequencia de 100 - 150 anos, cuja magnitude pode chegar a 8 graus, o mais alto da Escala Richter, utilizada para medir a intensidade de tremores de terra. A última manifestação do Tokai foi em 1854, portanto, há 153 anos. Isso quer dizer que este terremoto pode ocorrer a qualquer momento.


Terremotos na área de Kanto ao longo da história
Clique para ver a figura ampliada
(Fonte: site da província de Shizuoka)

A primeira vez que eu tive informação sobre o Tokai foi numa fita de vídeo que encontrei no Kaikan, o dormitório de estudantes onde eu morava. Não assisti a fita porque o videocassete não estava funcionando. Mas havia junto um livreto. Um de seus capítulos tratava de “como uma família brasileira se prepara para o terremoto”. (Mais tarde, eu tive acesso justamente a essa parte do vídeo.) Na região onde o Tokai pode ocorrer, está concentrada uma grande parte dos brasileiros que vivem no Japão. Por isso, o governo local tem um programa específico para orientar brasileiros no caso de um terremoto de grande magnitude. Aliás, há um texto bastante engraçado que diz, em bom português, que os homens não precisam ter vergonha de se esconder embaixo da mesa no caso de um tremor de terra. O texto diz, também que, no Brasil, a atitude de se esconder embaixo da mesa é tida como covardia. Mas que, no caso de um terremoto, é uma forma de se proteger contra os escombros, caso haja desabamento. Hilário.

Engracado é que as pessoas aqui vivem em absoluta normalidade, o que me faz não pensar em terremoto ou coisa semelhante. Tudo segue tranquilamente o seu curso, não se vê ninguém aflito com o tema. Parece que as pessoas confiam plenamente nas medidas de segurança. E eu ajo da mesma forma. Da mesma maneira como o carioca toma precauções para não ser assaltado ou mesmo morto na guerra civil da cidade. A única diferença está na importância que as autoridades dão ao assunto. Sabemos como as coisas funcionam aí no Brasil.

Extra: Escala Shindo

No Japão, os terremotos são usualmente mensurados pela escala Shindo, criada pelos cientistas locais. Você sabe a diferença entre as escalas Shindo e a denominação “magnitude”? Veja a resposta produzida pelos especialistas da província de Shizuoka:

Magnitude indica a quantidade de energia correspondente a um terremoto. “Shindo”, por sua vez, representa a intensidade do tremor em determinado local. Tomando por exemplo uma lâmpada, a luminosidade indicada em watts (especificado no produto, como 40, 100W) seria equivalente à magnitude, em um terremoto. Por sua vez, a claridade em cada local iluminado pela lâmpada (geralmente, quanto mais próximo do foco de luz, mais iluminada é a superfície) seria equivalente ao “Shindo” em um terremoto.

Confira a relação entre a intensidade dos tremores e os danos que eles podem provocar:

Classificação Situação
0 Não se sente o tremor
1 Algumas pessoas em ambiente fechado percebem um leve tremor
2 Grande parte das pessoas em ambiente fechado percebe o tremor. Algumas pessoas acordam do sono.
3 A maioria das pessoas em ambiente fechado sente o tremor. Algumas se assustam.
4 Grande parte das pessoas se assusta. Algumas tentam se proteger. Grande parte das pessoas acorda do sono.
5- Grande parte das pessoas tenta se proteger. Uma parcela tem dificuldade em se locomover.
5+ Causa grande fobia. Grande parte das pessoas tem dificuldade em se locomover.
6- Ficar em pé torna-se difícil.
6+ Impossível se manter em pé. As pessoas rastejam para se locomover.
7 Impossível se locomover de forma voluntária.

(Fonte: site da província de Shizuoka)

Tags: Cotidiano · Vida universitária · Dekasseguis - Brasileiros no Japão · Terremotos

2 responses so far ↓

  • 1 Nathalia // Jun 25, 2008 at 3:20 am

    A materia é ótima,eu achei muito boa.Nos foz refletir sobre nosso dia-a-dia,e que nós estamos acostumados que o Brasil não sofre com catástrofes naturais desse tipo.

  • 2 Dinho // Sep 12, 2008 at 8:36 pm

    talves seja boato sera que e hj 13:09:2008

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