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Deliciosa Mistura Musical

December 10th, 2007 · 3 Comments

Quando ouvi a canção Nanananana pela primeira vez num dos episódios da série para a internet Mina & Lisa, fiquei impressionado com a melodia e a voz da cantora. Não tinha sido eu o único, me contaria o diretor Hélio Ishii que, distraído, não me disse o nome da artista. Porém, um belo dia, numa dessas malas-diretas para jornalistas, me chegou a tão desejada resposta. Seu nome é Haikaa. A moça nasceu no Brasil e passou a vida cruzando fronteiras.

Hoje, como cantora e compositora, junta essa bagagem cultural num projeto que ela chama de Cross Culture Music. Se o título soa um pouco ingênuo num momento em que a arte vive um processo mais intenso de miscigenação, revela, porém, a intenção de fazer mais que um mix de influências e estilos mas, sim, algo que represente essa geração cada vez mais globalizada. Pela internet, conversei com Haikaa e divido com vocês um pedaço desse papo.

Roberto Maxwell: Queria que você falasse um pouco do seu background pessoal. Você nasceu no Brasil e é nikkei (descendente de japoneses), viveu no Japão e nos Estados Unidos. Como isso formou a pessoa e a cantora Haikaa?

Haikaa: Eu fico muito feliz por ter tido a oportunidade de crescer em um ambiente multicultural. O mais importante dessa experiência é poder enxergar a vida de uma maneira mais aberta. Afinal, o que é certo em um lugar pode ser errado em outro e vice e versa. Eu percebi que o importante é olhar para dentro e sentir, antes de aceitar ou julgar. Isso determina a maneira como eu vivo e com certeza a maneira como eu faço música.

RM: A sua música tem influências desses países por onde você passou. Fala um pouco dessa mistura, das influências, do que você ouvia quando era pequena, adolescente e de como isso entrou no seu trabalho atual:

H: Eu adoro música desde que sou pequena. Quando eu era criança, ouvia músicas da jovem guarda, enka, música clássica e principalmente musicais como A Noviça Rebelde. A música sempre teve o poder de me levar para “um outro lugar”. Eu não sei se as influências na minha música podem ser definidas culturalmente, a não ser pela escolha do idioma. O mais importante para mim é poder me expressar de uma maneira livre e verdadeira.

RM: Você canta em japonês, português, inglês… Isso não é exatamente um tipo de projeto que costuma interessar às grandes gravadoras. Por outro lado, a maioria dos artistas está fora desse esquema e, diferente do passado, prefere estar assim. Você jå teve oportunidade de estar dentro da indústria quando gravou aqui no Japão com o Girls Club. Como você se posiciona hoje dentro desse mercado?

H: Por um lado, estar em uma gravadora poderia limitar um pouco a minha criatividade já que é preciso se encaixar em algum rótulo para facilitar o trabalho de comercialização. Por outro lado, ter recursos para divulgar o trabalho e ser ouvida por milhões de pessoas é algo que eu tenho como objetivo e que pode ser alcançado através de uma gravadora. Estou aberta para diversas possibilidades de viabilização do meu trabalho.

RM: Fala um pouco do processo de composição das músicas e da gravação delas. Como você compõe?

H: Compor é uma benção, acho que é a maior benção de um artista. É poder ser um alquimista da vida e transformar tudo em ouro. Ou seja, você pega a tristeza, a dúvida, o medo e transforma em uma bela canção. Você pega a alegria, o amor, a felicidade e transforma essas emoções em uma música que é eterna.

O meu processo de composição é muito flexível. Eu estou em uma fase de compor em parcerias. Eu tenho dois parceiros com quem eu compus muitas músicas recentemente, o Mercuri e o Braga. Quando eles me trazem as melodias, eu faço as letras. Outras vezes, eu componho a música e eles tem a idéia da letra.

RM: A música Nananananana acabou virando um dos destaques da série Mina e Lisa criadas pelo Núcleo Virgulino e dirigida pelo Hélio Ishii. Como ela foi parar no episódio? Como está sendo a repercussão dela depois de aparecer por lá?

O Hélio me falou sobre o projeto e me perguntou se eu teria interesse em participar. Eu achei que uma maneira legal para contribuir seria, claro, através da trilha. Eu mostrei algumas músicas para ele que eu achava que tinham a ver com a temática e Nanananana acabou sendo a escolhida. Fiquei muito feliz.

Ouças as canções de Haikaa em http://www.nj.com.br/5.haikaa/index.php

Publicada originalmente em Alternativa.

Tags: Música

3 responses so far ↓

  • 1 ruth // Dec 11, 2007 at 9:10 am

    Parece bem lucida. Gostei!

  • 2 Paulo // Dec 12, 2007 at 12:50 pm

    Me identifiquei bastante com o background dela, pois nasci nos Estados Unidos e fui criado entre Brasil e Japão. Vou correndo conhecer as músicas!
    Abraços!

  • 3 Andreas Kass // Jan 17, 2008 at 7:49 pm

    Gostei muito da Haikaa. Eu já tinha ouvido falar dela, mas fiquei surpreso . Na internet é facil achar músicas, vídeos… vale a pena dar uma olhada. Parabéns!!!

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