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Um ano em 10 expressões

December 8th, 2007 · 1 Comment

Retrospectivas jornalísticas são a forma mais comum de se fazer uma revisão do ano que está acabando. A editora Jiyukokuminsha encontrou um meio mais interessante de passar a limpo o período. Anualmente, eles produzem uma lista das 10 expressões mais populares. Assim, a partir daquilo que caiu na boca do povo, é possível fazer uma rápida e divertida análise do ano em que o Japão mandou para casa mais cedo um primeiro-ministro, elegeu pela primeira vez um político abertamente soropositivo, espantou-se com o adiantado da floração das cerejeiras e conheceu um lado inédito da pobreza no país, através dos refugiados em cybercafés. Veja as 10 frases que os japoneses consagraram em 2007:

Grande prêmio:
■ “É necessário fazer algo!”, dita pelo então recém-eleito governador da província de Miyazaki Higashikokubaru Hideo, mais conhecido como Sonomanma Higashi. Famoso por sua carreira de comediante, o político é uma espécie de Arnold Schwarzenegger. Não pelos músculos, claro, mas pela forma com que ascendeu ao poder, através de um pleito suplementar. Segundo uma das fontes deste blog, o governador é uma celebridade na província. “Se você for ao aeroporto de Miyazaki, é possível ver fotos dele por todos os lados”, conta. A frase foi dita no discurso de posse, onde Higashikokubaru, usando o dialeto local, exortou os políticos da província a mover-se do passado de estagnação para um futuro mais próspero. No original, 「どげんかせんといかん」ou ”dogen kasen to ikan”.

■ “Princípe do sorriso tímido”, foi a expressão com a qual o locutor Taga Kimito batizou o campeão do Minsingwear Open KSB Cup de 2007 Ishikawa Ryo, um simpático jogador amador de apenas 15 anos e 8 meses que se tornou uma celebridade após o feito. No original, 「ハニカミ王子」ou “hanikami ooji”.

Outros premiados:
■ “Aposentadorias desaparecidas”, é a expressão que o Ministro da Saúde, Bem-estar e do Trabalho Masuzoe Yoichi utilizou para explicar o sumiço de 50 milhões de cadastros de aposentadoria revelado no ano passado. Até agora não foi encontrada solução definitiva para o problema desses contribuintes que poderão não ter direito à aposentadoria porque seus nomes não constam nos sistemas. Em japonês, 「(消えた)年金」ou “kieta nenkin”.

■ “Isso não tem nada ver”, é o bordão com o qual o comediante Kojima Yoshio se apresenta em inúmeros programas da TV japonesa. O onipresente se destaca por vestir apenas uma sunguinha no inverno rigoroso das bandas de cá e fazer movimentos para lá de inusitados. Na língua nativa, 「そんなの関係ねぇ」ou “sonna no kankeneeeeee”.

■ “Como assim???”, ou melhor… Ok, essa é difícil de traduzir. Mas, segue o raciocínio: imagina que você tem um(a) amigo (a) que vive falando que aquele (a) bofe (mona) é tudo-o-de-melhor-do-mundo-e-mais-um-pouco e, um belo dia, você finalmente encontra e a pessoa está looooooooooooooonge de ser pelo menos 1/100 de tudo o que ele(a) descreveu. É num momento como esses que o maquiador das estrelas Ikko, uma daquelas “celebridades” nada a ver da televisão, costuma destilar o seu “dondakeeee”, em kanji, 「どんだけぇ」.

■ “Habilidade para a insensibilidade” é o título do mais recente livro do escritor Watanabe JunIchiro que conclama seus leitores a pensar menos nas coisas pequenas e não se deixar abater pelas dificuldades. Em japonês, 「鈍感力」ou “donkan ryoku”.

■ “Alimentos maquiados” foi o nome que recebeu o escândalo de adulteração de alimentos envolvendo uma série de empresas aqui no Japão. No original, 「食品偽装」ou “shokuhin gisoo”.

■ “Refugiados em cybercafés” ganhou as páginas dos jornais como a expressão cunhada pelo pesquisador Kawasaki Shohei que revelou uma face inusitada da pobreza no Japão: os milhares de homens e mulheres que adotaram os cybercafés como residência por conta dos altos preços dos aluguéis nas grandes cidades. Na língua local, 「ネットカフェ難民」ou “netto cafe nanmin”.

■ “Comilona” foi a expressão com a qual ficou conhecida a celebridade Gyaru Sone, capaz de comer horrores numa sociedade que anda tentando difundir os valores da boa alimentação entre jovens cada vez mais acostumados a comer em fast foods. Em japonês, 「大食い」ou “oogu-i”

■ “Dia extremamente quente” vinha sendo repetida até a exaustão pelo presidente da Associação de Lojista da cidade de Kumagaya, na província de Saitama, o qual se referia ao calor acima do normal que assolou o Japão em 2007. As altas temperaturas chegaram a afetar uma das datas mais esperadas pelos japoneses, o hanami ou apreciação da flores. A expressão ficou tão famosa que acabou sendo adotada pela Agência Meteorológica. No original, 「猛暑日」ou “mooshobi”.

Se essa pesquisa fosse no Brasil, ou na comunidade brasileira no Japão, quais, na sua opinião, seriam as palavras mais populares?

No mais, esse texto só foi possível graças à paciente ajuda do meu querido Kawabata Hiroaki. 「大好き、ねえええ。ありがとうございました。」

Todas as fotos pertencem à editora Jiyukokuminsha.

Tags: Cotidiano · Sociedade

1 response so far ↓

  • 1 O Kanji do Ano // Dec 13, 2007 at 1:21 pm

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