
Um dos convidados da 31ª Mostra de SP, o diretor Hideki Kitagawa é ambicioso. Aos 43 anos, o professor da Tokyo Visual Arts School lança seu primeiro longa-metragem de forma totalmente independente. Com orçamento “muito modesto”, ele filmou em HDV Love Runs Faster Than Blood, uma obra não-narrativa de 75 minutos sobre a forma como vê o amor. “O amor é um sentimento possessivo. Alguém sempre tem que se sacrificar”, afirma o diretor, para explicar que queria fazer um filme diferente sobre o tema. “Há muitos filmes de amor sendo feitos”, justifica Kitagawa, que confessa não ter encontrado uma fórmula nova, como ambicionava.
O filme mostra a história — dark e regada a sangue — do amor entre um artista e sua modelo. Animado com a participação de sua obra na competição de novos diretores da Mostra, o diretor quase mudou de lado na entrevista. “Posso fazer uma pergunta?”, dizia o tempo todo. Com sua fala mansa e respostas bastante pensadas, ele contou um pouco sobre o filme que chega ao Brasil após passagem pelo Melbourne Underground Film Festival —onde o filme foi laureado com os prêmios de melhor ator internacional (para o próprio Kitagawa) e melhor atriz internacional (para a protagonista Mihiro, que aparece na foto acima, em cena do filme). A seguir, os principais trechos da entrevista, feita antes da vinda do cineasta ao Brasil.
Gostaria que o senhor falasse um pouco sobre “Love Runs Faster Than Blood” e a opção por um filme não-realista para a sua estréia na direção de longas-metragens?
Eu estava tentando fazer um filme no Vietnã. Não é fácil filmar no exterior, e no Vietnã há muitos problemas, estava sendo difícil conseguir as coisas. Tive que desistir, mas já estava no pique de fazer um filme. Então escrevi este roteiro em duas semanas. Decidi fazer um filme de amor. Mas há muitos filmes de amor sendo feitos. Então, tive que pensar numa história original, para chamar a atenção das pessoas. “Amor Pulsa” não é um filme realista. A maioria prefere o oposto, procura o realismo. Para dizer a verdade, só consigo fazer esse tipo de filme, que não é realista. É o que consigo fazer, e espero que o filme seja bem-sucedido, porque disso depende que eu produza meu próximo trabalho.
O senhor acha que conseguiu ser original?
(Pensa.) Não, acho que não muito (risos).
O senhor trabalhou com duas atrizes em papéis difíceis. Como chegou até elas? O senhor também atua no filme. Como foi essa experiência?
Foi difícil escalar as atrizes. Primeiro, porque elas teriam que ficar nuas, e ninguém quer aparecer nu num filme. Fiz alguns testes para encontrar a atriz, e nunca surgia alguém que se encaixasse no perfil da personagem. Tive que procurar fora do circuito tradicional de atores e atrizes. Por sorte, encontrei a Mihiro. Quanto a mim, foi a primeira vez que atuei. Eu tinha escolhido um ator, e nós começamos a filmar. No primeiro dia, fiquei realmente desapontado com a performance dele. Mas eu já tinha começado a produção e não podia mudar as datas. Decidi mudar o ator, mas sabia que não iria achar um ator em um dia. Conclui que eu deveria fazer. Ninguém conhecia o personagem melhor do que eu.
Love Runs Faster Than Blood ainda não tem data prevista para estrear no Japão.
Publicada originalmente em Ilustrada No Cinema.










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