(Ouça a entrevista do diretor no player ao final do texto.)

Era uma vez uma cidade altamente populosa, onde pobres vivem em guetos e ricos em ambientes com segurança altamente reforçada. A distinção entre bandidos e heróis é precária. Há um procurador justiceiro que faz piadas de mau gosto e um policial armado até os dentes e com perfurações de bala por todo o corpo. Políticos corruptos desviam milhões de dólares para uma criação de rãs e os cidadãos protegem-se como podem. Os mais ricos colocam chips espalhados pelo corpo para proteger-se de seqüestro. São monitorados 24 horas por dia e se deslocam em carros blindados. Aqueles (muitos) que tiveram a infelicidade de serem seqüestrados, utilizam ultra-modernas técnicas de cirurgia plástica para reparar as lesões deixadas pelos bandidos.
Ok, o leitor já sabe do que eu estou falando. Aliás, se você até agora não percebeu que a cidade acima mencionada não é a mítica Metropolis de Fritz Lang ou a Sin City dos quadrinhos, está precisando ler um pouco mais. Longe de ser uma peça de ficção científica ou um exercício de futurologia, esta cidade existe no presente, chama-se São Paulo e está esquadrinhada no excelente documentário Manda Bala, premiado no Festival de Sundance este ano. O diretor Jason Kohn contou a este escritor detalhes de sua primeira incursão cinematográfica.
Kohn é norte-americano mas tem uma estreita relação com o Brasil. Ele é filho de uma brasileira com um argentino, ambos judeus. Nasceu e cresceu em Nova York em uma família com múltiplas identidades culturais. Educado nos padrões locais, ele freqüentou, ainda, uma escola religiosa, duas vezes por semana. Pré-adolescente em conflito com sua identidade, ele rebelou-se contra os pais e recusava-se a aprender português e espanhol. Estudou cinema numa escola da qual guarda poucas boas recordações. Viveu alguns anos no Brasil onde ficou impressionado com a cultura local. Dedicou-se a conhecer a música brasileira e, através do pai que vive atualmente em São Paulo, conheceu as estórias que tornaram-se o ponto de partida para Manda Bala.
No filme, uma intrincada rede se forma para relacionar a indústria dos seqüestros, a alta tecnologia de blindagem e cirurgia plástica, o mercado de helicópteros, um ranário e a pobreza urbana no Brasil. “Essa estória me pareceu ficção científica”, conta um articulado Kohn. “Mas é a realidade de uma das maiores cidades do mundo”, completa. O diretor dá de ombros às críticas de que ele, um cidadão norte-americano, esteja falando de problemas do Brasil, mas não aceita as comparações e equivalências feitas entre seu filme e Turistas, uma obra de suspense lançada em 2006. “Turistas é um filme idiota”, reclama ele.
De fato, Manda Bala é bastante sério tanto nas denúncias que faz, quanto na abordagem do tema. Aliás, na reconstituição do estado de gravidade que o país foi jogado, imagens de impacto somam-se às entrevistas, tudo com uma fotografia bem elaborada pela brasileira Heloísa Passos, também premiada no festival Sundance. O filme apresenta personagens como o Mr. M, um profissional de informática com pinta de playboy que, para evitar seqüestros blindou seu carro, fez curso de direção defensiva e implantou dois chips localizadores em diferentes partes do corpo. (”Dois, afinal eu trabalho com informática e sei que essas coisas podem falhar”, diz ele no filme.) Ou, ainda, o sequestrador “Magrinho”, nome fictício de um bandido que foi morto pela polícia depois das filmagens, que se considera o “político” de sua comunidade. No cerne, um dos maiores escândalos políticos da História do Brasil: o caso do desvio de verbas astronômicas da extinta e recriada SUDAM (Superintendência para o Desenvolvimento da Amazônia) cujas suspeitas recaíram para o ex-senador da República Jader Barbalho. Nessa conjunção de personagens com diferentes origens e motivações, a tentativa de encontrar uma resposta para a questão da pobreza num país como o Brasil. Porém, no ambiente de “ficção científica” retratado pelo filme, mesmo os heróis (no ponto-de-vista do diretor, claro), como um Procurador da República e um policial da divisão anti-seqüestro parecem ridículos - apesar de essa não ser a intenção do realizador. Estes “homens-da-lei” não passam de pastiches em uma sociedade onde justiça é algo muito distante da realidade.
Na montagem, uma outra surpresa. Kohn utiliza seus tradutores como personagens do filme. “Manda Bala foi produzido, em primeiro lugar, para o mercado norte-americano e eu não queria que as pessoas perdessem a história por estarem preocupadas em ler a legenda”, conta ele, que vai alternando as vozes reais dos entrevistados com a de seus intérpretes. A técnica causa momentos interessantes e expõe o processo filmíco, de certo modo. Num dado momento, um dos tradutores não se contém com uma historia para lá de inusitada contada pelo entrevistado e ri. Tudo isso é pontuado por uma trilha sonora recheada do melhor da música brasileira dos anos 60 e 70. “Não queria mostrar apenas o lado ruim do Brasil”, justifica Kohn a escolha da trilha que conta com nomes como Tom Zé e Jorge Ben(jor). No fundo, escolhas como a trilha sonora, o caso dos tradutores e a linguagem que se aproxima dos filmes polícias e flertam com a ficção científica revelam muito sobre o realizador e seu modo de pensar o cinema. “Sou um homem de esquerda, mas acredito no cinema como entretenimento”, conta ele, num despudor que assusta os mais puritanos realizadores latino-americanos. Não quer dizer que ele não acredite que seu filme tenha uma função política. Mas, segundo ele, nao é essa visão que pauta seu trabalho como realizador. Aliás, esse formato que explora os limites do filme policial na tentativa de um diálogo com o público incomodou alguns resenhistas como pode ser conferido neste texto. Há, também, o ranço que ainda considera fronteiras nacionais para os problemas e para as discussões sobre eles.
Apesar da relevância da obra, Manda Bala não tem previsão de estréia no Brasil. Mesmo com o cínico aviso logo no início da projeção (o “este é um filme que não pode ser visto no Brasil” da cabeça deste texto), Kohn conta que gostaria muito que a obra fosse exibido por aí. “Infelizmente, um dos personagens nos ameaçou de processo caso o filme seja exibido no Brasil e lá não há leis que protejam documentaristas”, contou o diretor à audiência do Beat Latino Film Festival, ocorrido em Tóquio no mês de setembro, sem revelar a identidade do possível litigiante. Uma perda para um país, onde a maioria dos cineastas necessita de dinheiro público para fazer filmes e, portanto, obras como Manda Bala andam escassas.
Ouça entrevista com o diretor.
Visite o site de Manda Bala.
adaptado do original publicado em Alternativa.











10 responses so far ↓
1 Sabrina F. // Oct 24, 2007 at 1:27 am
Oioi,
Excelente texto, excelente entrevista (tu passou no meu blog esses tempos e me contou que entrevistou ele). Tinha esquecido que ele deixou as partes onde os entrevistados tentam se comunicar com os tradutores e o com o diretor em inglês. Primeiro achei isso antipático e depois bastante ilustrativo da visão dele.
Abraço!
Sabrina
2 Carlos // Jun 12, 2008 at 2:31 am
Assisti ao Filme “manda bala”, ontem a noite. E realmente, fiquei muito intrigado, principalmente ao ler este comentario aqui neste Site. E incrivel como criminalidade e corrupcao sempre foi uma marca registrada dos Paises da America Latina, principalmente na opniao publica e midia Americana. Este jovem Americana (23Anos), apresenta neste Filme , que ele esta vendendo aqui nos Estados Unidos como um documentario Brasileiro , Uma Visao Parcial e Destorcida da Nossa Sociedade. As conversas sao cortadas e edtadas de forma Anti- Etica e , a montagem do filme enm geral muito Pobre , e repetitiva e Bizarra, alimentando apenas uma visao Superficial e Preconceituosa do Brasil, para o publico Americano , que ja tem que lidar com a propria Ignoracia e manipulacao da Midia , e Governo que sempre teve, e continua tentando manter a America Latina como uma regiaode controle ideologico, politico e economico. Ou Ja esquecemos as Ditaduras Militares, Derubadas de Governo, Influencia da CIA . E muito Ironico, este Jovem Americano, tentar se apossar desta realidade, e vende-la para o Norte , atravez do poder da Camera , se colocando como um Ser Superior , sem nunca Aparecer no “documentario”… Nao temos acesso a nenhuma das entrevistas de forma completa, e as pessoas entrevistadas aparecem sempre em imagens Esquizofrenicas, misturadas a Imagens de Cirurgias Plasticas, Sapos criados em Cativeiros, discurssos dde Politicos Corruptos… Toda Sociedade e, Grandes Cidades ao redor do Mundo Teem seus problemas Socias. Os Jovens Americanos precisao, voltar seus olhares a Propria sociedade em que vivem. Estados unidas vem usando de Tortura, Invasao de Privacidade, Destruicao de outras Nacoes, e Corrupcao para manter seu modo Imperialista de Governo… Como os Americanos ainda aceitam um Bloqueio Economico a Cuba, enquanto a China (maior pais Comunista do Planeta) financia sua Guerra criminosa no Oriente Medio… bem , espero que os Brasileiros venham a desenvolver uma consciencia critica social , mais profunda, assim como um melhor entendimento da nossa propria historia nas ultimas decadas… existem melhores documentarios a serem assitidos , procurem por John Pilger . O cinema brasileiro tem produzido abras belissimas sobre sua propria realidade social urbana, nao precisamos sustentar uma visao preconceituosa em relacao a nos por uma Juventude desconectada americana , de sua Propria realidade. A producao , acredito que foi tao pouco Etica, que a compreensivel, o porque que o Autor tem medo de ser processado no Brasil.
3 robertom // Jun 12, 2008 at 5:22 am
Oi, Carlos, discordo do seu ponto de vista. Primeiro, porque edição existe em qualquer documentário. E, de verdade, não vi nada anti-ético na edição de Manda Bala. Acho que o filme é cru e é pesado, sim. E reflete muito a violência e a corrupção do país. Gostei do approach dele, mostra São Paulo sob um ponto-de-vista muito interessante. E acho que o fato dele fazer um roteiro quase de ficção científica para mostrar o absurdo da realidade brasileira apenas torna o filme mais interessante.
Uma lástima que nosso cinema se preocupe, apenas, em conseguir financiamento público ao invés de colocar nossos políticos na berlinda. Talvez, por isso, ele incomode tanto. Precisou que um sujeito descesse para o Brasil, como dizem os americanos, para fazer um filme que devíamos ter feito.
Sobre o processo, o autor já revelou o motivo. Acho que você deveria pesquisar. Tem a ver com um dos entrevistados, não necessariamente o político.
Além disso, o diretor tem muito mais semelhanças com você do que você imagina. E muito mais laços com o Brasil do que você acha que ele tem.
Por fim, me aponte um filme brasileiro que coloque as cartas na mesa como Manda Bala? Não conheço.
4 Carlos // Jun 12, 2008 at 9:19 am
Oi Roberton. Eu entendo o desejo de espelho e representacao internacional que a mior parte dos brasileiros sente nescessario. E como se esta realidade Paulista fosse secreta, e unica . Assim como o cinema americano tenta a todo custo manter o ilusao do sonho Americana de Pe, o cinema americanao sempre espoem outras culturas apenas pelo lado de suas problematicas. Isso tem justificado o apoio publico americano a acoes crues em outros paises, e isso acontece a todo dia. Sabemo dos Problemas de Sao Paulo, Sabemos do Rio , Do Nordeste… trabalhei 3 anos no movimento social e vi muita gente boa dando os seu suor para um Brasil mais humano. Nosso Povo e bom, e precisamos nos esforcar para levantar esta moral, principalmente nos locais mais sofridos. Intendo o interesse de nos jovens pelo exotismo da miseria, da violencia… todo mundo quer ser ou ser amigo do Bad Boy ultimamente. E Arte muda constantemente, porem engajamento social, e comprometimento com dia melhores vao alem da publicacao de imagens bizarras, apresentando as como caracteristicas de um povo. Elas sao inerentes a todos os Povos, inclusive o Americano. Eu Li omentarios do publico americano, dizendo que estas coisas nao acontecem aqui porque eles tem valores morais e socias forte. Na realidade a violencia e estupida nos estados unidos, assim como a corrupcao, numa escala que a Sudam e fica um caso despercebido. Mas A lente do cineasta escolhe o que quer mostrar. E dessa vez, o Americano, mais uma vez resol mostrar nos estados unidos , que o Problema e sempre maior loonge daqui. Ele deveria assistir (ou espero que ja tenha assistido) o documentario War on Democracy , deveria estudar sobre a acao americana no interminavel Apartheid na Africa do Sul, o suporte ao sistema corrupto no Egito qu no permite manifestacoes do povo local contra o governo, A corrupcao nas campanhas eleitorais Americanas, sera que ele ja ouviu o Ralph Naider, existe uma emergencia de acao Joven , consciente aqui na America do Norte, isso Ajudaria inclusive a America Latina a ter um sistema mais voltado para o Social que as Corporacoes. Essa e uma caracteristica Americana, e sua influencia tem sido terrivel nos paises na America Latina. e ao redor do mundo. A Cultura do Medo e muito grande por aqui, e o preconceito muito grande. Boa Parte dos Jvens Americanos, acreditao que os EUA ajudam os Paises como Brasil, Venezuela , mas estes paises sao Pobres e seu Povo Corrupto, e este “documentario” nao ajuda em nada uma compreencao critica mais profunda. Tem Um Grande empresario que conheco que sempre diz O Brasil eum Pais de Bandido, mora nos estados unidos e critica Angola (seu pais de origem) por corrupcao. Bem os EUA deu suporte militar ao Ditador Angolano quando o pov tentou se libertar na decada de 60 ou 70… Precisamos gostar do Brasl, Gostar das Ruas, dar atencao a criancas, lutar nas ruas como fazemos pelo Brasil a fora, e cuidar da auto estima do nosso povo. Esta e uma as razoes que estou retornando ao Brasil depois de 6 anos aqui no Norte. Obrigado por escrever respondendo ao que escrevi no seu blog. Um Forte Abraco ! Carlos.
5 Sandra // Jun 12, 2008 at 10:03 am
Sou Portuguesa, vivi varios anos no Canada, e agora estou vivendo nos Estados-Unidos (3 anos). Viajei por Cuba, maior parte da Europa, Mexico, estive varias vezes no Brasil. Nao sou brasileira tentando proteger a imagem dos brasileiros, nem sou uma americana, tentando defender a visão de “America Latina” dos Americanos. Eu sou apenas uma pessoa com algum conhecimento, e Estudo. Pois fui estudante de cinema em Montreal e sou editora multimedia, trabalhei em varias areas da midia, e sobre tudo com ediçao de imagems video. Em meu tempo livre, adoro analisar filmes e sua relacao Social, tendo um amor profundo pela humanidade, diferentes culturas e suas Artes.
Em relacao ao Brasil : Como alguem que vive fora do Brasil, percebo que este pais vem recebendo a atenção do mundo inteiro por causa da sua riqueza natural , a Amazonia, uma região desejada muito pelos Estados-Unidos, pelo seu potencial economico, e por ser um pais de uma belissima cultura que hoje e admirada por pessoas ao redor do mundo. Muitos jovems sonham em ir ao Brasil, se apaixonam pela musica, pela dança, pela historia, a mistura entre as pessoas, pelas cores, pela natureza crua que ainda existe la. Um “boom” economico esta acontecendo no Brasil, e economistas , empresarios e varias figuras importantes sabem disso. Muitos estão investindo dinheiro no Brasil, e menos nos USA. O valor do dolar vem baixando, o Euro dominando enquanto moeda de cambio, e o Brasil tem a cada dia um Real mais estavel.
Entao para falar do film Manda Bala…
O cinema, e a forma de arte mais proxima da realidade, pela sua imagem colorida, som e movimento. Nos podemos ser confundidos, achando que ao assistir um filme estamos assistindo uma realidade. Porem, cinema e apenas um quadro estreito, e uma montagem de imagems e soms que nos trazem sensaçoes e reflexos da visão de uma pessoa ou pessoas, atravez do acumulo e edicao das imagems filmadas .
Tambem ao analisarmos um filme devemos saber qual a historia da pessoa que esta criando este filme… o porque do sujeito escolhido? porque esse titulo? porque essas musicas? essas imagems? porque? porque? porque?
Bem, o cinema Brasileiro vem nos apresentando Obras de Arte como Central do Brasil, Cidade de Deus , Tropa de elite , uma tradicao artistica cultural , que podemos ver mesmo nas produçoes mais antigas de brasileiros como as do Glauber Rocha e outros(as). E o Brasileiro nao tem medo de criticar seus problemas com elegancia e veracidade. O cinema Brasileiro vem desenvolvendo popularidade, e o publico no mundo todo buscando cada vez mais filmes com nomes em portugues.
Minha primeira critica ao filme: O diretor usa um titulo portugues, o que leva a maioria do publico a acreditar que esta e uma producao Brasileira. Ele esta sendo classificado nos Estados Unidos como Filme/Documentario Brasileiro. O jovem realisador americano parece ja entao usar de qualquer ferramenta util para fazer do seu filme um “Best-Seller”. Mas a realidade, e que este e um Filme Americano.
Segundo: O diretor, e um jovem de 23 anos. O Quanto sabemos da vida aos 23 anos ? e sobre tudo, a vida em um outro pais onde nao moramos, e não crescemos imersos nessa cultura. Acho que pela historia e experiencia de vida do diretor Nova Yorquino, ele deveria ter sido mais cuidadoso e, menos ambicioso ao montar um suposto documentario e apresenta-lo como: A Moderna Realidade Brasileira. Acredito que foram por vontades proprias de viajar, de ser “cool”, de filmar imagems exoticas, e ser um diretor na moda, que ele criou este projeto usando o Brasil. Porque se fosse realmente para trazer ao publico sua consciencia critica em relacao a problemas de corrupção e crimes, nao faltaria material aqui mesmo nos Estados-Unidos, o pais de sua cidadania e origem. Pois realmente existe uma carencia muito grande entre os jovens Americanos deste aspecto critico em relacao a politica e condicao social em seu proprio Pais, sem contar a falta de conhecimento em relacao a interferencia Americana em outros paises. A comunidade artistica e pensadora agradeceria esta iniciativa para os Estados-Unidos esta precisando de provar que ele tem possibilidades de auto-critica para passar para a proxima era politica apos-Bush.
A minha terceira critica : Porquê filmar os tradutores com o sujeito entrevistado, em vez de usar legendas? Desta forma o tradutor e o entrevistado teem a mesma importancia no filme. O diretor fez questão de filmar as duas pessoas (entrevistado e tradutor) com o mesmo valor visual. Desta forma, ele consegue manipular a opiniao do publico, dando credito a voz do tradutor. Muitas vezes nem se ouve a Fala em portugues, apenas a traducao em ingles, sendo um processo anti-etico, e de duvidoso caracter informativo. E possivel perceber que em algumas cenas o tradutor mal fala portugues.
O meu quarto ponto: O estilo documentario acaba sendo falsificado neste filme, pela manipulaçao da realidade… o diretor tenta fazer um ponto, provar sua opiniao, influenciando as filmagems e as entrevistas, para conseguir o material necessario. Ele sabe o que vende nos Estados-Unidos e faz de tudo para produzir um filme vendável. Usa de tecnicas famosas usadas em filmes de terror, um estilo muito admirado nos USA.
Me perguntei: Porque filmar a fazenda (criatorio) de rãs, se ele nao consegue nos mostrar os factos que realmente testemunham uma coneção com o escandalo da Sudam? Principalmente para o publico estrangeiro que nao sabe nada sobre Politica Brasileira. A resposta é: Para servi-se das imagems de carnificina (os funcionarios preparando o animal para consumo humano), decapitação, amputação, canibalismo, cirgugia plastica, criando assim um desconforto em quem assiste, uma sensação de “thrill” muito desejada pelos jovems americanos (que comem de tudo, porem muitos nao tem a minima ideia de onde o seu alimento vem. Nunca viram uma Galinha de verdade viva). Mutilar, despelar, cortar, sangrar, matar… são estampas muito na moda, usadas para vender filmes americano de hoje em dia… Os jovems americanos procuram estas sensaçoes no cinema. Essas imagens nos fazem reagir com um sentimento intenso e fisico, de medo, de nojo, de receio, de desconforto… E ele usa muito bem deste metodo, para estabelecer ao longo do filme um enjou pela sociedade brasileira, um medo, e um desconforto total…
Talvez até que nem seja a verdadeira opinião do Jason (o diretor), porque tendo passado 5 anos no Brasil filmando seu projeto de inicio de carreira cinematografica, acredito que ele tenha feito amigos no Brasil, e talvez ate gostado de viver la, se e que ele dedicou tanto tempo a este pais e sua cultura . Ou talvez, ele apenas se deu o direito de criar amizades para entrar na vida das pessoas, e filma-las em varias situacoes, partindo do seu ponto de vista, tendo imagems suficientes para humilha-los fora do Brasil?
Tambem nao acredito que tudo o que ele viu em 5 anos foram orelhas cortadas, rãs decapitadas, e corrupcao, porem foi o que ele decidiu nos mostrar. Então o filme dele nao é um documentario objectivo, isento de malicia, o classificaria num estilo suspense-terror misturado com “Reality TV” pois, apresenta sujeitos reais no dia a dia deles, filmados em 70mm para um impacto visual grandioso e guarantir seu valor de obra cinematografica autentica, ornamentada de uma trilha sonora de musica brasileira “COOL”.
Tenho a maior compaixão pelos sujeito(s) que foram entrevistados, e estão querendo processo-lo por difamação… eles deveriam todos se juntar! E preciso acabar a ideia de “O Brasil ser uma Colonia”, extraindo a beleza e depois espalhar preconceitos em relacao ao Pais afetando sua economia, a auto estima do seu povo (que ja tem tantos desafios a superar enquanto Nacao, enquanto Sociedade). Alias, Auto-Estima e um problema serio nos EUA , e essa cultura do medo ja e moda por aqui ha muito tempo. Dessa forma e facil compreender o que faz sucesso nos USA, e nos seus festivais, film que tiram a cabeça da propria realidade deles, é premiado.
Bem tenho uma critica positiva a fazer sobre o filme, realmente o Jason foi um estudante de cinema muito bom, conhece as tecnicas de cinematografia, de fotografia, de iluminacao e de pesquisas (ou sua equipe conhece)… pois Manda bala parece ter sido orientado por um imenso trabalho de pesquisa para todas as historias que nos sao apresentadas (mesmo se o trabaho e mal acabado). Agora resta saber se ao amadurecer, ele conseguirá usar seu talento de realisador , no intuito de ajudar a humanidade a crescer e refletir, nao apenas para um desejo e sonho de ser um produtor de imagems escandalosas e esteriotipadas , “Cinema Americano”.
6 robertom // Jun 12, 2008 at 11:12 am
Olá, gente, acho bacana o debate estar rendendo.
Sobre a imagem do Brasil, Carlos, dizer que o Brasil tem gente boa e assumir que os USA são um monstro mostra, apenas, que você usa contra o país a mesma atitude que você acusa o Jason Kohn de ter contra o Brasil. O Brasil é um país violento e desigual, um país que expulsa sua mão-de-obra mais qualificada, um país que discrimina e assassina seus homossexuais, uma país onde há segregação racial, um país onde um político corrpupto é reeleito e bla, bla, bla. Isso é o Brasil por completo? Não. Isso é uma parte do Brasil. Porém, quem disser que isso é Brasil, está mentindo. Cidade de Deus é um filme feito por brasileiros e que sofreu as mesmas acusações de manchar a imagem do Brasil, como se necessitassemos de cinema para isso. Como se ja não bastasse o que emana diariamente do Brasil, de atraso e corrupção, de violência e de cultura inútil etc.
Vc sugere, Carlos, que esses depoentes se unam para processar o diretor. Eu sugeriria que eles se unissem para pressionar o Congresso Nacional a acabar com os mensalões e o governo do Estado de São Paulo a resolver a questão de moradia e habitação das camadas mais pobres da sociedade. O filme não é o problema. O filme é um ponto-de-vista sobre o problema.
Sandra, o Jason é norte-americano de origem brasileira. Ele morou no Brasil, seu pai é argentino e sua mãe é brasileira. Por lei, ele poderia ser tão brasileiro quanto eu. Pode até ser que seja, visto que ele tem direito a esse passaporte. Nacionalidade não é o caso aqui. Além disso, você falou de idade. Desculpa, mas me choca alguém desqualificar um trabalho pela idade de seu realizador. Acho que se déssemos mais ouvidos aos jovens, entenderíamos muito mais sobre a sociedade que nos rodeia. Como você, acho que Jason domina muito as técnicas cinematográficas. E acho que ele agride porque não tem a nossa visão paternalista, de que devemos passar a mãozinha na cabeça do pobre povo brasileiro que é sempre tão ferrado e tem auto-estima baixa e bla, bla, bla.
Sandra, com todo respeito a sua opinião, não acho que o brasileiro tenha auto-estima baixa, não. Acho o brasileiro bem arrogante, até. Pergunte aos paraguaios, aos argentinos, aos uruguaios, aos chilenos o que eles pensam do Brasil. Pergunte a seus compatriotas. O brasileiro tem um outro problema: ele é mal-educado. A educação básica no Brasil é um fracasso. Pública ou privada, não temos uma educação com o tamanho do rei que temos na barriga. Então, somos o que pode se chamar de burros motivados. Estamos sempre tentando ser algo que não somos, sempre tentando fazer o nosso país parecer algo que não é. E sempre perdendo as oportunidades de olhar para o país de frente, de reconhecer erros e acertos e refazer a Nação. E, claro, sempre buscando responsáveis pelos nossos fracassos. São os portugueses, de quem herdamos parte de nossa cultura. São os ingleses, que espoliaram “nossas riquezas”. São os americanos, que fazem filmes malvados sobre nós. Nunca somos nós, brasileiros, os responsáveis pela nossa tragédia como país. E, por isso mesmo, nunca seremos mais do que uma tragédia de país. E, por isso mesmo, o Brasil tende a perder sua mão-de-obra e suas cabeças pensantes para países onde se possa viver, produzir, criar e pensar com liberdade e com um pingo que seja de justiça.
7 Carlos // Jun 12, 2008 at 12:49 pm
Roberto . Nao estou mensionando fatos em relacao aos EUA no intuito de tirar a responsabilidade do Povo Brasileiro sobre seu proprio desenvolvimento Porem, existe uma classe media Brasileira que parece adorar receber porrada e preconceito e venerar os Paises “de primeiro mundo” , que na sua historia escravisaram e exportaram corrupcao e pobreza pelo planeta. Cuidado quando Vc enquanto Brasileiro desvaloriza a sua nacao, sua gente, sua origem usando de informacoes e preconceitos que foram instituidos nas ultimas decadas com o intuito de destruir a possibilidade de ascenssao de outros povos no Planeta. Hoje nos Estados Unidos e Resto do mundo, se fala muito no sucesso que o Brasil vem alcansando em varios aspectos politico e sociais, enquanto as grandes potencias estao vivendo um processo de crise e mudanca economica. E triste observar, que realmente Voce assim como muitos brasileiros nao conseguem acreditar no seu (nosso) proprio potencial enquanto ser humano, achando que os outros paises sao melhores, mais iluminados e merecemos o preconceito. Nao tenho nada pessoal contra o Jason , Tenho muitos amigos Americanos, e de varias nacionalidades… minha critica e mais do ponto de vista de quem tem acesso a sociedade Americana de dentro pra fora, do seu preconceito e ilusao de superioridade. E duro eu sei, ter que desfazer ideias e enchegar o mundo por uma optica mais abrangente. O Manda Bala conecta contigo diretamente, voce deve temer assim como quase todos nos a violencia apresentada pelo filme , sei que para jovens brasileiros de classe media pra cima isso e como um combustivel para luta, ou talvez apenas para o medo. O Problema e quando isso e passa ser uma moda e tenta ser vendida como a Realidade Brasileira. E ti garanto meu Amigo, Isso Vende aqui que e uma maravilha
porem , critica ao sistema americano nao e um produto muito facil de achar mercado por aqui . Americano nao gosta nem de falar de politica, principalmente Americano Jovem. entao Nao acredite tanto nessa nossa ignorancia e passividade. Antes de vir morar por aqui, eu tinha essa mesma crenca sua, que o povo americano e participativo, opina, decide e muda as coisas quando e preciso… bem Vi muito mais protesto e participacao de pessoas no Brasil que aqui, olhe que vim morar aqui antes da Guerra no Iraq comecar. Os Caras reelegeram um dos politicos mais desmoralizados na historia da humanidade … estou ti disento isso so para afirmar que somos todos muito parecidos. Eu , Voce, o Crimonoso do filme , o Jason , porem as situacoes ao nosso redor que sao diferentes. Nunca foi coveniente para o Povo Americano , respeitar e Admitir a democracia existente em outros paises, e este dito documentario, destinado Basicamente ao Povo Americano (mesmo se ratando de Brasil) foi fiado baseado neste preconceito. Nao Apresenta nenhuma alternativa , ne nenhum comprometimento com o povo Brasileiro. entao, qual e a intencao? se vc assiste TV no Brasil, Le Jornal , se informa direitinho, Vc nao precisa deste filme, estas informacoes sao publicas. Os EUA tem um rombo de no minimo 18 bilhoes de dolares que eles nao conseguem contabilizar, que praticamente sumiu , na invasao criminosa do Iraq. Conheco varias pessoas que voltaram da guerra e hoje sao alcoolatras, dependentes da familia… O impacto dos EUA no Planeta e incrivel, este pais produz quase 20% da poluicao no Mundo… Acho realmente que o Jason usaria o dinheiro deste filme Manda Bala, em questoes muito mais importantes na propria comunidade em que ele foi gerado, ao invez de trazer para ca uma materia tendenciosa em relacao a uma outra nacao. Me diga qual o saldo positivo disso? por mais que vc goste do filme, e esteja frustrado com o Brasil… Vc se sente mais engajado na sua comunidade depois de assistir o Manda Bala? se Vc quizer posso ti enviar algumas Dicas de como contribuir para um Brasil mas justo, Politicamente Participativo, e com coragem para Mudar, pois isso acontece todos os dias ,em lugares meu amigo, que provavelmente Vc nunca ouviu falar, mas que estao ai , no seu Pais.. e essas pessoas nao precisao assistir nenhum filme Americano falando da realidade delas. elas sao a Realidade. Um Forte Abraco! ps: desculpa escrever tanto e que a cnversa e boa mesmo 
8 robertom // Jun 12, 2008 at 1:18 pm
Oi Carlos, não sei de onde você é no Brasil. Eu sou do Rio de Janeiro e, realmente, vou te agradecer as dicas de fazer um Brasil mais justo, mais participativo. Mas, eu não vou precisar delas, sabe porque? Porque eu trabalhei durante vários anos no Brasil, fazendo serviço social mas, sobretudo, trabalhando onde ninguém quer trabalhar: na educação das crianças de periferia. Não fui como voluntário. Fui como profissional. Ser voluntário é muito bonito. Mas, voluntário aparece um dia na semana e vai embora. Quem segura os pepinos é o professor. Aliás, muitos seguram os pepinos, mas a maioria nem isso faz. Aparece dá duas aulas, ensina mal, ganha o deles e sai fora. É assim que funciona a educação dos pobres. Eu fui um deles. Estudei com bolsa do governo em escola privada. E, depois, estudei em escola pública. E voltei pra trabalhar nela. Saí depois de dez anos com um diagnóstico de depressão. Aliás, vc tem idéia de quantos professores de escola pública são depressivos e outras doenças e síndromes mentais? Não sei se tem. Mas, vale pesquisar. O trabalho que eu e muitos colegas faziam/fazem é foda, meu caro. A gente lida com o que há de pior na sociedade. Então, honestamente, eu não tenho porque achar que amanhã ou depois o Brasil será um país melhor. Porque nestes 10 anos em que eu trabalhei no ensino público eu vi a bomba que hoje começa a eclodir na sociedade. E vi colegas tombarem tentando desarmá-la. Eu mesmo fui ameaçado de morte porque, na hora de você mexer em vespeiro, quem usa a violência como arma não escolhe a vítima. Um policial que sobre morro, um traficante rival ou um professor que pede mais empenho dos alunos são todos farinha do mesmo saco. As sociedade deveria voltar seus olhos para a escola e ver onde a bomba começa a explodir.
Não desvalorizo o povo brasileiro. Apenas relato o que meus olhos viram. E, de boa, o que os EUA elogiam em termos de economia me coloca rapidamente com a pulga atrás da orelha. Porque os EUA são um país protecionista e se estão elogiando a atuação do governo brasileiro na economia, provavelmente, é porque essa atuação está beneficiando a eles. E, vou te ser honesto, mesmo que os números digam o contrário, a sociedade brasileira está se afundando. E se não tiver nenhum brasileiro que enxergue isso e tiver um japonês ou mesmo um americano, ele vai ter meu apoio.
Moro no Japão há 3 anos e não é pelo fato de eu não ser japonês que eu não posso criticar o país. Isso é injusto e completamente infundado. Da mesma maneira que acho que o Jason pode fazer um filme que critique o Brasil e da mesma maneira que você usa suas palavras para criticas os EUA. Porque, da maneira que você pensa, um americano pode desconsiderar todas as suas palavras aqui mesmo nesse blog.
No mais, escreva a vontade. O espaço é nosso! Abraços.
9 Carlos // Jun 12, 2008 at 11:54 pm
A Barra e pesada mesmo, Roberto. E nao minimalizo de forma alguma a su8a revolta. Porem, essa sensacao de desiluzao existe em toda grande metropoli do mundo, em grupo de pessoas como Vc. Que lidou diretamente com o poblema… meu ponto e bem simples , na atual situacao social entre paises na America, nae e necessario mais filmes que motive na juventude alienada Americana o preconseito com outros paises, inclusive paises latinos. O Jason, enquanto Artista pode escrever, filmar o que ele quizer. Eu enquanto publico tenho o dever de saber o que quero assistir e yter uma oiniao critica em tudo que consumo, ou e me oferecido enquanto rpoduto. E nao fiquei satisfeito ao assistir este filme, nao pela realidade que ele apresenta, mas pela necessidade de usar o terror para exibir o que ele considera o Brasil Moderno. Sou muito sensivel a condicao humana, principalmente os grupos menos favorecidos pelo sistema, nao so no brasil, mas aqui tambem nos EUA, No Mexico e todo o preconseito que os mexicaos vivem aqui nos EU, os Cubanos, Os Negros. Depressao e um grande problema social hoje em dia, e os estados unidos e recorde em depressao morbida adolescente… Porem por aqui se fala mais em corrupcao e crime nos paises latinos que nos proprios problemas socias Americanos. Eu sou Baiano, Ja viajei muito por este Brasil trabalhando em uma organizacao junto a cooperacao internacional, fazendo trabalho com grupos de Criancas e Adolescentes, a Moradores de Ruas, Portadores de HIV… Hoje sou Musico, e viajo muit pels EUA, Ja passei em tantas regioes, sub desenvolvida por aqui. Lugares muito parecidos com parte Pobres do Brasil, e sua desigualdade. Sao destes locais que saem a maior parte dos jovens soldados, que morren e matam pela causa americana. A maior parte nunca teve acesso a saude medica, educacao e informacao e precaria em varias regioes americanas… Moro num Condominio de Apartamentos muito bacana, porem a maioria dos meus visinhos teem problema de alcoolismo, sao Solitarios, e muita gente depressiva. E nao estou pintando um quadro pior do que ele e, da mesma forma que vc sofreu no Rio, coma desigualdades, a violencia voce nao pode dizer que o rio ,a sociedade carioca e so isso. A vida e um espectro imenso de possibilidades, cores, possibilidades, e a sociedade Brasileira apesar dos seus desafios, nao e um caso especial , nem as dores nao sao maiores e piores de uma forma geral. Sao apenas as nossas dores. Porem o Brasil e exotico, e e desejado pelo mundo inteiro, vc nao imagina o numero de americanos que conheco e que estou mudando, ou indo passar tempo no Brasil. Artistas, esportistas, comerciantes… Sou musico entao conheco muita gente o tempo todo, os Povos latinos tem muita Fe na nossa nacao, acreditao muito no governo Lula e , posso sentir nas pesoas uma crenca nos fatos de que os pAises latinos estao se ofrtalescendo enquandto grupo. Observe os passos da Venezuela, Bolivia, o Poprio Paraguai, Brasil, Equador, as relacoes desses paises com Cuba, Canada (principalmente o Canada Frances, que tem uma politica muito diferente da amaericana)… so povos que se respeitao. Tenho muita admiracao pelo povo americano porem a industria de cinema, a midia, e os jovens sao alimentados diariamente com iamgens preconceituosas e controladas sobre outros paises, e o Manda Bala so ve a alimentar este peconceito. Vc precisa ler os comentarios escritos por pessoas que assistem o filme por aqui. Algumas pessoas mostram muita decepicao em relacao a como o tema violencia e sociedade brasileira e abordado, porem o publico imaturo , Adora o filme diz que e “cool”, que as imagens sao bacana,e que nunca vao ir ao Brasil… Foi essa a ferramenta usada contra os povos Arabes, Os Russos , Os Alemaes (nos filmes de Indiana Jones), o Bandidoe sempre um estrangeiro, o Salvador sempre um Americano Bom. Por isso acredito que o Jason deveria ter sido um pouc menos exagerado na hora de tentar vender a imagem de um Brasil violento e desigual , os fatos sao verdadeiros, e terrives por si so. Nao a a necessidade cinematografica de dramatizar ainda mais a situacao e apresenta-la para um publico desenformado. Os documentaristas teem um papel muito importante a midia moderna, principalmente em tempos de ” Globalizacao”. Vamos nos comunicar aravez de Que ? da miseria, ou do que nos ilumina? Atrave do preconceito ou da Adimiracao? dA nossa realidade e causa ou de fatos sensacionalistas ? Boa Sorte nas suas Caminhas pelo Japao, imagino que seja um pais muito Interessante. E carrega esse Brasil que a tua Raiz. Como disse o Bob Marley quando tentaram convense-lo a ficar nos Estados unidos e ele preferio voltar a Jamaica (Pobre e Desigual) “… vou para casa, pois quanto mais forte a Raiz, mais doce e o Fruto…” Tudo de Bom Para Vc meu Velho, Obrigado por criar este Blog.
Se cuida Direitinho
10 Greg // Jun 17, 2008 at 5:16 am
Assisti a esse filme ontem e como muita coisa ja foi dita nos comentarios acima tentarei ser breve.
Uma coisa fica clara para quem ja morou em grandes cidades como Sao Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Fortaleza, etc… a desigualdade social no Brasil eh brutal. Nada melhor para retratar isso do que um “empresario” em seu porsche 911 miguelando esmola para um moleque no farol. Ou ainda, o contraste gritante do visual ao sobrevoar essas cidades com suas mansoes colossais e extensas favelas, tudo ali, lado a lado.
O sujeito que vive nessa realidade, assiste a essa desigualdade todos os dias, e ainda tem a manha de desviar dinheiro publico eh um baita de um filho da puta, sangue frio, assassino, por ai vai. Nessa categoria eh que entram os politicos como Jader.
Ai temos o sujeito que reclama ao nao poder andar por ai em seu porsche sem que se sinta ameacado. Esse nem sempre eh filho da puta, mas com certeza sofre de miopia aguda. Sim, ao contrario dos politicos corruptos o cara batalhou para estar aonde esta. Mas ele tambem tem que entender que vai se destacar ao desfilar com um carro importado enquanto o resto se espreme numa kombi ‘81. Nao estou dizendo que o fato do cara esbanjar riqueza justifica um sequestro, mas nao eh dificil entender o porque deles acontecerem.
A respeito do filme, achei muita bacana a fotografia assim como a trilha. O problema que tive foi com o roteiro, que achei meio desconexo. Uma hora focava na roubalheira dos politicos, outras no mercado que esta se formando devido ao aumento de sequestros em Sao Paulo, mas sem nunca amarrar os pontos. Talvez a intencao tivesse sido essa, de deixar no ar, mas acho que teria sido legal ao menos uma illustracao de como essa sacanagem toda de Brasilia acaba contaminando muito mais do que se imagina.
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