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notícias do Japão sob um ponto-de-vista cultural (e nada matemático)

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O Pequeno Grande Carnaval de Asakusa

August 27th, 2007 · 2 Comments

Então, leitores, apenas uma palhinha do Carnaval de Asakusa, considerado o maior evento carnavalesco fora dos domínios dos papagaios. Foram, segundo dos realizadores, 500 mil almas nas ruas do tradicional bairro de Asakusa, antigo coração cultural de Tóquio. 27 grupos e mais de 4000 foliões desfilaram e 20 deles concorreram a cerca de 52 mil dólares em prêmios distribuídos pelos patrocinadores. O desfile segue regras parecidas com o do Rio de Janeiro: jurados dão pontos às escolas nos quesitos desenvolvimento do tema (enredo), performance musical, conjunto, empolgação da escola (evolução), fantasia e dança. Além disso, há uma matemática no quesito conjunto que não ficou muito clara para mim, mas que me pareceu ser a nota mais alta multiplicada por três e tal…

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Rainha da bateria da União dos Amadores

Cabe a cada escola de samba escolher o idioma em que o samba-enredo será cantado. Falha de jornalista, mas eu não anotei quantas escolas escolheram japonês e quantas escolheram português. A seleção do tema também fica a cargo das agremiações. Segundo um dos fundadores do Carnaval de Asakusa, Morohashi Minoru do G.R.E.S. Nakamise Bárbaros, o importante é que o enredo seja de fácil assimilação. Neste ano, por exemplo, foram temas a China, os doces, os musicais, a música, as quatro estações… O número de foliões em cada escola é bem menor se comparado ao do carnaval do Rio de Janeiro. Aliás, mesmo as escolas do Grupo de Acesso 2 da Cidade Maravilhosa são grandes perto das suas irmãs japonesas. Mas, as agremiações contavam apenas com 5 indivíduos no primeiro carnaval!

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Baiana da Escola Liberdade

O desfile ocorre em duas das principais avenidas do bairro de Asakusa e a maioria dos foliões é formada por japoneses. Por incrível que possa parecer, mas a grande quantidade de brasileiros que vive no Japão (somos mais de 300 mil) não possui qualquer conexão com o tamanho nem com a existência do Carnaval de Asakusa. Aliás, a participação de brasileiros é pequena e a grande maioria dos que têm algum envolvimento com o negócio são músicos e sambistas que vieram para o Japão em atividades diferentes daquelas que são características dos dekasseguis. Aliás, pode ser dizer, que o interesse do Japão pelo samba é responsável pela atração de muitos nikkeis imigrantes para uma cultura que, enquanto eles viviam no Brasil, parecia não lhes ser muito significativa. (Aliás, o antropólogo Takeyuki Tsuda discute bem sobre o fortalecimento da identidade “brasileira” entre nikkeis imigrantes no Japão.)

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A largada das escolas tem bandeirada como na Fórmula 1 Autor não identificado

Porém, estavam lá belas mulatas e sambistas negros de gogó afiado. A atração maior deste ano, aliás, foi o Neguinho da Beija-flor que, infelizmente, não puxou o samba da escola Liberdade com sua bela voz. Ele fez apenas alguns improvisos. Enfim, um desperdício. Aliás, bacana ver escolas cantando sambas inteiramente em português, embora, dentro do carnaval de Asakusa, exista uma disputa criativa sobre o tema que foi bem resumida pelo sambista Den, do grupo Balança Mais Não Cai que gravou composições de gente como Arlindo Cruz e Sombrinha. Segundo ele que é japonês, o Carnaval no Japão chegou a alguns impasses. O maior deles é criativo. Den pensa que as escolas de samba locais precisam encontrar um modo japonês de se expressarem, sem abandonar a raiz brasileira. Ele acha, ainda, que o samba somente em português não é o melhor caminho. “O ideal é a mistura”, disse ele, na língua de Cartola.

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Ala de Baiana da União dos Amadores. As baianas bailavam como japonesas, sinal de mudanças?

Talvez isso explique a vitória da União dos Amadores sobre a favorita Bárbaros no carnaval de 2007. Perfeita nos padrões deste meu olhar carioca, a Bárbaros trouxe um enredo sobre música e apresentou fantasias belíssimas, harmonia bacana e samba nos lábios dos desfilantes. Empolgou — japonesamente, claro — a galera, mas ficou em segundo lugar. Enfim, coisas do carnaval.

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Brasileiro? Japonês? Aqui no Japão é difícil saber

Mais um set de frames extraídos da filmagem que eu fiz.

Vou deixá-los com o link da cobertura feita pela jornalista Bruna Siqueira Campos para o seu blog e para o site G1. Acho que ela não curtiu muito o evento, mas o olhar dela, apesar de divergir do meu, é bem bacana. Eu prometo um compacto em vídeo das escolas para a semana que vem.

Tags: Viagem

2 responses so far ↓

  • 1 Laercio Reis // Nov 1, 2007 at 2:52 am

    Boa tarde Maxwell, gostaria primeiramente de parabenizá-lo pelo site e também pelas reportagens.

    Li também no overmundo as mesmas, antes de falar o objetivo desse email cabe fazer uma breve apresentação minha , sou formado em relações internacionais, e estou terminando uma pós em gestão cultural, na UCAM rio de janeiro, trabalho com produção cultural e sou músico tbm.

    Fiquei sabendo de suas reportagens através de uma palestra que tive com uma das responsáveis pelo site overmundo, e ela citou a sua reportagem do carnaval de asakusa.

    Tendo em vista o trabalho monográfico no fim do curso pensei em escrever algo relacionado a cultura e imagem nacional, tendo como objeto de pesquisa as ações realizadas pelo minc em conjunto com o mre, e no caso citaria algumas de suas ações , como o copa da cultura na alemanha , ano brasil frança , e havia pensado numa ação que pressuponho que o setor público não media , e que feita de forma espontânea difunde a cultura brasileira.
    Pensei no carnaval japonês, tendo em vista uma inquietação própria, visto que sou ritmista da unidos de vila isabel, e convivendo nesse meio sempre percebo a presença de japoneses , aprendendo a percussão, inclusive um, não sei se vc sabe, desfilou na bateria esse ano. E sempre me veio as perguntas e curiosidades em saber o porque desse interesse e como isso refletia aí no japão, e fui pesquisando e com a dica do overmundo pude comprovar a força do nosso samba , mesmo sem nenhuma ação articuldada dos nosssos governos, o que poderia resolver alguns problemas referidos no texto, até mesmo fazendo uma análise economica, aqui no Brasil começa a ter uma discussão sobre economia da cultura, algo bem interessante.

    Bem , gostaria de trocar figurinhas contigo , saber mais do carnaval daí , da sua percepção ,já que está presente, a leitura nos sites das escolas realmente fica difícil ( estão em japonês!!!).

    Fica o convite, e o meu msn está acima qualquer coisa é só adicionar, e parabéns pelo seu trabalho , e continue firme, percebo que aqui no brasil, as pessoas se preocupam muito com o que vem de fora, mas nao procuram saber como anda a sua cultura pelo mundo!!!

    obs: a fantasia da bateria de vila isabel, 2008 é de samuraí!!!!!(sic! comentário no overmundo!!!)

    abs laercio reis

  • 2 marianna do brasil // Dec 14, 2007 at 4:52 pm

    muito legal o site!
    bjus
    so do brasil1

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