Banda japonesa faz música eletrônica recheada de influências e em nome da liberdade

Rebel Familia e um mascarado
Eles são apenas dois. Mas no palco ou no CD parecem muito mais. Assim é o Rebel Familia, duo de música eletrônica de Tóquio, com três CDs lançados. O baixista Heavy e o sound creator Goth Thrad se encontraram pela primeira vez em 2001 em um dos inúmeros eventos nos quais costumavam tocar. O baixista estava engajado no projeto Dry & Heavy e Goth Thrad fazia seu trabalho solo quando os dois trocaram uma idéia e sentiram que podiam fazer um som juntos. Começaram a criar juntos e fizeram sua estréia no Metamorphose, um dos eventos de música eletrônica mais importantes do Japão. A performance surpreendeu pela energia e porque muitos nem sabiam que os dois estavam em parceria. Sem nenhum material na praça, o Rebel Familia saiu consagrado do evento rumo ao primeiro registro, homônimo à banda. Em Rebel Familia, o álbum, “estávamos com muita raiva e queríamos expressar isso. Queríamos mudar o estado das coisas”, conta Goth Thrad sobre o primeiro trabalho.

Goth Trad
Um ano depois da estréia fonográfica, a dupla produziu o álbum Solidarity, uma espécie de obra coletiva, onde outros proeminentes nomes da música eletrônica/reggae underground — como Shing02, Ari Up e DJ Baku —aumentam o conceito de família. O retorno à base da banda se deu este ano com o lançamento de Guns Of Riddim. “Para álbum já tínhamos muita experiência de trabalho em conjunto”, conta Heavy, “temos mais confiança um no outro e este álbum reforçou os laços entre nós”, finaliza.

Heavy
O som do Rebel Família tem base no reggae e no dub, mas são inúmeras as referências. Goth Thrad citou tantas que a matéria ficaria longa demais. Ele que começou a se interessar por música ouvindo os discos do irmão mais velho, tem um cabedal que vai do punk rock ao techno passando pelo hip-hop underground de Nova York e, é claro, Prodigy como se vê na própria figura do cara. Heavy, por sua vez, é um homem do reggae, interessado em várias matizes da música de origem africana. “Não sei se é uma coisa antiga, mas gosto do Jorge Ben[jor]”, surpreende o baixista, “acho que os brasileiros podem ter tido uma história bastante complicada, mas construíram uma feliz mistura musical com base nas raízes africanas e ameríndias”, finaliza o cara deixando o entrevistador de boca aberta.

Faixa-a-faixa de Guns Of Riddim
1. Music Terrorist: com Ari Up — uma moça de gigantescos dread locs ruivos — nos vocais, é um reggae eletrônico, quase um dub.
2. Assault: a base é do trip-hop mas a superfície é uma viagem no techno.
3. I AM I: dub e techno numa mistura psicodélica cheia de camadas e reverberações.
4. Ghost Town: o rapper Shing02 rima em cima de uma base nervosa sobre uma Tóquio sombria e opressora.
5. Hard Knock: mais techno e dub, agora com mais bpms.
6. Babylon Fall: o ídolo do reggae Max Romeo aparece nessa canção que denuncia a pobreza e a falta de perspectiva da juventude. O som é um reggae com batidas eletrônicas.
7. Pray Riddim: cheia de texturas, a música pode até ser rotulada como techno, mais vai muito além disso.
8. Melos: a base é sombria e os synths fazem da canção algo bem próximo de um lamento raivoso. No fundo, é um reggae bem desconstruído.
9. The King Of Gladiator: assinada por Struggle For Rebel, a faixa é uma parceria da dupla com Imazato do coletivo Struggle For Pride. A faixa é um noise core raivoso.
Site oficial da banda - www.rebelfamilia.com
MySpace da banda - www.myspace.com/rebelfamiliatokyo
MySpace do Goth Trad - www.myspace.com/gothtrad
Site oficial do Goth Trad - www.gothtrad.com
Todas as fotos nessa matéria são de autoria da banda ou de profissionais por ela contratados.










1 response so far ↓
1 JHENNIFER BRAZ // Aug 5, 2007 at 1:27 am
OLAAAAAAAAAA ESTAVA DANDO UMA OLHADINHA NA NET E RESOUVI PASSAR POR AQUI PARA VER SE ESTA TUDO BEM COM O REBELDE
Leave a Comment