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Drama Familiar À Sombra da Torre de Tóquio

May 20th, 2007 · No Comments

O trailler já anunciava: Tokyo Tower — Okan To Boku To, Tokidoki, Oton é mais um filme japonês de apelo super popular, destes que andam enchendo as salas de cinema do país e estão fazendo os Estados Unidos começarem a lançar olhos de preocupação para este que é um dos mais ricos mercados do planeta. No entanto, é bom esclarecer que nem todo o produto de massas é pobre ou simplista. Tokyo Tower… é prova de que aplicar uma fórmula de sucesso não implica no nivelamento por baixo na qualidade de uma obra.

Na Fukuoka dos anos 60, por mais uma noite, Oton (Kobayashi Kaoru) chega em casa embriagado e ataca as mulheres da família. Desta vez, porém, Okan (Uchida Yayako) decide dar o troco e deixa a casa com o pequeno Masaya (Tanaka Shohei). Assim começa a história de uma profunda ligação afetiva entre mãe e filho, explicita no subtítulo do filme (“Mamãe, eu e, ás vezes, papai”, numa tradução livre). Adolescente, Mayasa (Tomiyura Satoshi) já tem uma vida semi-independente e, após concluir os estudos, ruma para Tóquio, simbolizada para ele em uma foto do pai em frente à semi-construída Tokyo Tower, cartão-postal da cidade. O filme é uma adaptação de uma das mais populares novelas literárias japonesas. O sucesso do livro é tão grande que uma adaptação para a TV foi realizada no ano passado, além de uma adaptação teatral ainda em cartaz. Isso desde 2005, quando ele chegou às prateleiras.

A narrativa do filme é formada por idas e vindas no tempo da ação, propiciada pela situação presente dos personagens: Okan (uma corruptela do sul do Japão para “okaasan” que significa “mãe”) está internada num hospital com câncer e Mayasa, ou Boku (“eu”, em japonês, numa linguagem usada por homens), sofre por não poder aliviar a dor da mãe amada. Sem malabarismos, o roteiro vai reconstituindo a história da família, sem espaços para rancores do passado, porém sem ocultar os conflitos, sobretudo entre pai e filho. Tokyo Tower… é, ainda, um olhar para a classe média baixa japonesa, um universo pouco desconhecido pelos ocidentais, mesmo os que vivem no país.

Apesar do roteiro bem costurado, com personagens bem construídos, não há como negar que o forte do filme foi a acertada escolha do elenco. Kirin Kiki e Odagiri Joe brilham como os protagonistas na fase presente do filme. Para quem não os conhece, são dois dos mais conhecidos atores japoneses. Kirin já fez mais de 50 filmes e, há muitos anos, é estrela dos comerciais de uma marca de filmes fotográficos. Odagiri é um dos mais requisitados atores japoneses da nova geração, uma espécie de Rodrigo Santoro local, com pinta (sem trocadilhos, por favor, já que o ator carrega, como marca registrada, uma pinta no queixo) de galã, talento e versatilidade. O pai tem contida mas excelente perfomance do também vetarano Kobayashi Kaoru. Aliás Kobayashi e Kirin já haviam trabalhado juntos no cinema em 1977 na obra Hanare Goze Orin de Shinoda Masahiro. Destaque também para Uchida Yayako que interpreta a jovem Okan e repete com a mãe uma experiência semelhante à que Fernanda Montenegro e Fernanda Torres tiveram em Casa de Areia, de Andrucha Waddington.

Tokyo Tower — Okan To Boku To, Tokidoki, Oton não é diversão garantida. Mas, não se engane pela frase anterior. Nada a ver com a qualidade do filme. Tokyo Tower… é um passeio afetivo por memórias. Portanto, prepare os lencinhos e vá disposto a desabafar. Chorar um pouco não faz mal a ninguém. No escurinho do cinema é mais gostoso ainda.

Tokyo Tower — Okan To Boku To, Tokidoki, Oton

diretor: Matsuoka Joji
elenco: Odagiri Joe, Kirin Kiki, Uchida Yayako, Kobayashi Kaoru, Tanaka Shohei, Tomiyura Satoshi

TRAILLER

PARÓDIA - TOKYO TOWER VERSÃO PLANETA DOS MACACOS
Há a tradução das legendas nos comentários.

Tags: Filmes

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